O que é Role-Playing Game?

RPG é um jogo onde o/a jogador/a interpreta uma personagem criada por ele/a, dentro de um determinado contexto, conhecido como ambientação. As ambientações podem ser várias: ficção científica, Idade Média, cyberpunk, terror, vikings, velho oeste, Brasil colonial... As possibilidades são infinitas, pois todas as épocas da História e culturas existentes, ou que já existiram, podem servir de inspiração para uma ambientação de RPG. Além disso, a mesma ambientação pode ser desenvolvida de várias maneiras diferentes. E mais: há as ambientações totalmente ficcionais, o que torna impossível imaginarmos um limite para as possibilidades de ambientação. Há também aquelas inspiradas em filmes (Star Wars, Indiana Jones, Star Trek) ou na literatura (H.P. Lovecraft, Anne Rice, J.R.R. Tolkien).

O/A jogador/a cria uma personagem para a ambientação escolhida de acordo com um sistema de regras (afinal, trata-se de um jogo, e um jogo costuma ter regras) e obedecendo à lógica do mundo para o qual está sendo criada. Por exemplo: uma personagem de velho oeste não vai poder voar ou ter uma pistola de raio laser (espera-se...).

O sistema de regras serve para organizar a ação das personagens durante o jogo, determinando os limites do que elas podem ou não fazer. Por exemplo: não basta uma personagem saber atirar para acertar um alvo: vai depender do alvo e das condições em que a personagem se encontra, além de quão bom atirador ela é. O sistema de regras tem como finalidade fazer uma simulação da realidade (a realidade do jogo), influenciando a ação das personagens nas situações mais complexas.

Existe um/a jogador/a que conduz a história: o/a mestre do jogo. Ele/a será diretor/a, roteirista, figurante, coadjuvante, cenário, juiz/a do jogo. Sobre ele/a recai a grande responsabilidade do jogo ser um sucesso e todos passarem momentos agradáveis juntos. O/A mestre é aquele/e que precisa ler o livro inteiro, conhecer cada detalhe da ambientação e todo o sistema de regras. Já os outros precisarão apenas de uma noção geral da ambientação (o suficiente para criar uma boa personagem) e das regras (é durante o jogo que os jogadores costumam se familiarizar com as regras).

Após ler o livro e conhecer bem o seu conteúdo, o/a mestre irá criar uma história para os seus jogadores, que se passa na ambientação descrita no livro. Esta história geralmente é criada em forma de roteiro, se aproximando muito da forma de roteiro cinematográfico. Porém, se trata de um roteiro aberto, pois o/a mestre cria tudo, menos o que as personagens dos jogadores irão fazer. Ele/a cria uma série de situações, mais ou menos encadeadas, e se prepara para muitas improvisações, de acordo com a reação de cada jogador. É um eterno pingue-pongue criativo. Nunca a história que o/a mestre criou se desenvolve da maneira como ele/a a imaginou. Ou seja, a história, no RPG, é sempre uma criação coletiva. Ela toma forma apenas durante a sessão de jogo. E a mesma história, se for jogada outras vezes (geralmente com jogadores diferentes), terá um desenvolvimento diferente.

O RPG é jogado, geralmente, em volta de uma mesa, ou mesmo no chão. Não utiliza tabuleiro e nenhum tipo de peça. Em sua esmagadora maioria, o único elemento necessário além do livro e da ficha ou planilha da personagem (folha de papel que contém todas as informações sobre a personagem) são os dados. Há alguns acessórios opcionais, como miniaturas, mapas, maquetes, que às vezes são utilizados, mas de forma alguma são necessários para se ter uma boa sessão de jogo.

A representação teatral é verbal, não cênica, aproximando-se de uma leitura de texto (como a que antecede os ensaios no palco). Alguns jogadores represetam de modo descritivo, em terceira pessoa ("minha personagem faz isso, ele diz aquilo"), outros em primeira pessoa ("eu pego minha espada e saio gritando pelo corredor").

Um livro de RPG contém, basicamente, a descrição mais ou menos detalhada de uma ambientação (maiores detalhes costumam vir separadamente em outros livros menores, os chamados complementos) e um sistema de regras. Como não há apenas um sistema de regras (cada jogo de RPG costuma ter o seu), as possibilidades de jogos de RPG se multiplica ainda mais, pois cada ambientação pode ser desenvolvida por diferentes sistemas de regras. Ou seja, cada combinação ambientação-sistema dá origem a um jogo diferente.